A busca pelo conhecimento é inerente à condição humana. Aprendemos tudo e sempre. Não sobrevivemos sem aprender. Entretanto, frente ao novo, os indivíduos reagem de diferentes formas. Num primeiro momento, a reação pode ser de medo frente ao desconhecido. Depois, dependendo de uma grande complexidade de variáveis, a reação pode ser de impotência/acomodação ou de busca de soluções para o desafio a ser enfrentado. É neste momento que a pesquisa escolar pode tomar uma dimensão relevante na construção do aprendizado. Suas características de dinamismo e abrangência, quase ilimitada, respeitam o ritmo individual de cada aluno.
Assim, define-se a atuação do professor, do bibliotecário e do aluno. O professor, para potencializar a proposta de pesquisa escolar, deve procurar desenvolver em si próprio algumas habilidades, das quais, talvez as mais importantes sejam:
* habilidade de formular questionamentos relevantes respeitando o nível ascendente de sofisticação dos conhecimentos do aluno;
* habilidade de auxiliar o aluno no processo de organização das informações;
* habilidade de conduzir o processo de forma flexível vivenciando-o também como aprendiz;
* habilidade de inferir positivamente no trabalho do aluno.
O bibiotecário interliga-se ao trabalho docente e discente como um elo condutor das informações auxiliando a selecionar fontes compatíveis, propiciando acesso às mesmas, assumindo uma postura de catalizador da aprendizagem. Porém, o grande arquiteto da sua aprendizagem é o próprio aluno, a qual não acontece de maneira solitária, mas na interação com os outros. A significação ou ressignificação dos conceitos de cada sujeito assume duas dimensões: a individual e a coletiva. A individual pois cada um tem seu próprio sistema de percepção da realidade e a coletiva porque é no coletivo que o aprender passa a fazer sentido.
Nos dizeres de Paulo Freire (Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1996, p.160): "A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo de busca. E ensinar e aprender não podem dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria."
De forma sucinta, nesta citação, encontra-se o âmago da pesquisa. E a escola, como espaço privilegiado de criação e socialização de saberes, encontra na pesquisa, quando bem aplicada e conduzida, a aliada ideal.
As fontes utilizadas na pesquisa podem abarcar uma gama diferenciada, variando de relatos orais ao uso de tecnologias no meio virtual, ou formas combinadas.
Importa ressaltar o cunho sistematizado e científico da técnica de pesquisa escolar para a qual o aluno deverá ser direcionado, paulatinamente, à medida que percorre o caminho da apropriação do conhecimento. Logo, ao assumir as posições de orientador/facilitador, professor e bibliotecário irão elucidando dúvidas, instigando a ampliação da pesquisa, propondo normas de apresentação da mesma, conscientizando sobre a metodologia a ser utilizada.
A pesquisa contempla, ainda, a realidade das necessidades educacionais especiais possibilitando que estes alunos tenham as mesmas oportunidades de aprendizagem dos demais e também tenham um retorno gratificante de seus investimentos na educação formal.
O professor, como proponente da atividade, deve ter claro as competências envolvidas na mesma, considerando, o nível em que o aluno se encontra nas mesmas: ler, pensar e escrever. Considere-se que, dificilmente, o professor poderá obter sucesso como orientador caso, ele próprio, não procure desenvolver, de forma contínua, estas competências. Em outras palavras, o professor necessita vivenciar situações onde atue como pesquisador, cultivando a paixão de aprender, de reaprender, de buscar com alegria e criticidade.
domingo, 15 de novembro de 2009
Pesquisa X Conhecimento
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